Este
texto é destinado a todos aqueles que por amor dedicam-se a amparar, acolher de
forma amorosa a todo que por ventura batem em sua porta.

Quando
nos definimos espiritualistas temos que compreender que esta palavra “ESPIRITUALISTA”
vai muito alem das 4 paredes ou das poucas horas de dedicação espiritual que
estão envolvidas em um “TRABALHO” dentro de um Templo quando nos reunimos na
prática da caridade.
Destaco
aqui “TRABALHO” entre aspas. Pois quando exercitamos algo do fundo do nosso
coração nada é trabalhoso, desgastante, cansativo, entediante, irritante e tão
pouco fizemos por obrigação. Portanto quando tratarmos de “Trabalhos
Espirituais” lembremos que são as dádivas divinas, que são o nosso combustível
o nosso êxtase de amor ao próximo, e principalmente de amor a nós próprios que
nos denominamos “ESPIRITUALISTAS”. É no exercício da bondade que conseguimos
encontrar a luz que ilumina os nossos caminhos na Terra.
Em
um acolhimento damos apenas aquilo que nós próprios gostaríamos de receber no
momento em que o nosso coração e alma aflita se encontram perdidos nas trevas
do sofrimento e do desespero. É como se encontrássemos um oásis no meio de um
deserto árido, sem vida e sem água, onde a sombra fresca das árvores e a água
são o bálsamo salutar, a paz, a tranquilidade o equilíbrio a serenidade o amor
divino que nos dá a força para continuarmos a nossa “breve e longa” jornada em
busca de nós próprios. Digo “breve e longa” porque o tempo para o mundo dos
espíritos é infinitamente diferente do nosso. A nossa passagem pela Terra por
mais longa que podemos perceber é infinitamente pequena comparada com a
eternidade do espírito. Portanto não podemos perder tempo. Temos que fazer hoje
tudo que está ao nosso alcance com a permissão de Deus Pai todo poderoso, sem
atropelos e principalmente, com bom senso.
Quando
acolhemos alguém do fundo do nosso coração, somos multiplamente amparados pela
infinita bondade de Cristo, por nosso anjo da guarda e espíritos protetores,
assim como o espírito dos nossos amigos que estamos acolhendo. É um momento que
recebemos muito mais do que qualquer tipo de doação de tempo ou de matéria que
possamos estar disponibilizando ao outro.
A
nós que nos denominamos Espiritualistas devemos ter a consciência de que
ninguém é perfeito e tão pouco nós somos. Pois se assim fossemos, não
estaríamos mais vivenciando o processo reencarnatório. E que a nossa passagem
na Terra faz parte de uma das nossas etapas de evolução como espíritos. Temos
que aprender a lidarmos com as diferenças, com as dificuldades individuais.
Sempre nos questionando dos nossos atos mediantes as situações adversas que o
plano espiritual nos coloca no nosso caminho. Cada etapa vivenciada é o traço
grafado em nossa memória espiritual do nosso aprendizado, do qual teremos que prestar
contas de nossas ações e reações. Como já dizia o profeta: Seremos cobrados de
acordo com o nosso conhecimento e consciência. Maior conhecimento, maior a
nossa cobrança, pois, a nós foi dado a dádiva mais cara; o despertar da
consciência.
O
espaço físico, a nossa casa de orações, o terreiro, a ceara, o centro espírita,
nosso lar, seja lá qual for o nome que for dado a este ambiente consolador e
acolhedor é o microcosmo. É a representação infinitamente pequena do universo
que escolhemos reencarnar, é a nossa sala de aula, de aperfeiçoamento, de
crescimento de elevação moral e espiritual. É onde iremos aprender a exercitar
com um pequeno grupo a convivência, as dádivas divinas para podermos aplicar no
nosso dia-a-dia, a paciência, a tolerância, a bondade, a humildade, a paz e
amor a todas as criaturas criadas por Deus Pai todo poderoso, que de forma
sábia foram divinamente inseridas no nosso caminho para aprimorarmos o nosso
crescimento moral.
Sempre
que recebermos alguém no “nosso lar”, que esta pessoa seja a mais especial de
todas, pois foi ela que Deus colocou no nosso caminho para aprendermos e
evoluirmos. Como no Filme: “As Mães de Chico” onde o Chico perguntou para uma
das mães que padecia pelo desencarne imaturo do filho e que todos julgavam ter
ocorrido por irresponsabilidade da babá. - Você agradeceu a sua babá? A mãe
respondeu: Eu a perdoei, mas não agradeci. E o Chico respondeu: - Deveria, por
ela ter sido a escolhida para auxiliar neste processo dolorido de desencarne.
Já que, a dor e o complexo de culpa seriam infinitamente maiores ou até mesmo
irreparáveis se por ventura o seu filho tivesse caído dos seus próprios braços.
Portanto devemos sempre agradecer a Deus as pessoas que cruzarem os nossos
caminhos, pois ele com sua infinita bondade e sabedoria sabe exatamente os
motivos destes encontros e despedidas.
Uma
“casa de acolhimento” não deve fazer distinções de ninguém que entra por sua
porta. Todos são dignamente iguais na graça e na misericórdia divina. Não deve
existir preferências por cor, sexo, idade, profissão, beleza, riqueza, herói,
bandido, bem ou o mal vestido. NADA DISTO deve fazer diferença no tratamento de
cada um destes espíritos que estão em busca do consolo para as suas aflições.
O
que cada indivíduo irá levar de dentro de uma casa de acolhimento será apenas
aquilo que fizer parte de seus próprios méritos. Não devemos esperar milagres,
tão pouco soluções mágicas para os nossos pesares. As graças que iremos receber
não depende dos médiuns, dos cambonos, secretárias, assistentes e tão pouco dos
espíritos que estão presentes neste momento do auxílio. Todos estes elementos
são meros trabalhadores na ceará do bem, são facilitadores para trazer a luz, a
paz, a harmonia, a felicidade, a compreensão e o entendimento dos nossos atos e
suas consequências. Cada um levará aquilo que vieram à busca e de acordo com os
seus merecimentos.
Os
membros que trabalham em uma casa de acolhimento são meramente intermediários
desta bondade divina e são também os maiores beneficiados deste processo, quando
exercerem as suas funções com o mais puro e infinito amor. È neste processo de
doação que os trabalhadores de uma casa conseguem colocar em pratica todas as
metas devidamente planejadas para o seu desenvolvimento espiritual.
Vamos
amar a todos como gostaríamos de ser amados.
Vamos
respeitar as diferenças, pois elas nos fazem crescer.
Vamos
amparar para sermos amparados.
Vamos
respeitar para sermos respeitados.
Vamos
cuidar para que possamos ser cuidados.
Vamos
nos dar sem nada esperarmos em troca.
Vamos
acolher para sermos acolhidos.
Você
deve estar se perguntando, por que até agora não falei nada sobre a palavra
“ESPIRITUALISTA” entre aspas?
Por
que o significado desta palavra é demasiadamente grande e infinitamente
complexo para ser descrito em poucas palavras e vai muito além das 4 paredes do
“Nosso Lar” e da curta passagem que temos aqui na Terra. Somente os estudos, a
dedicação e o amor ao próximo poderá definir literalmente esta palavra de forma
única e individual para cada um a passo de seu próprio desenvolvimento.
Palavras
de um espírito protetor no auxílio de orientar e definir a importância de um
Centro Espiritualista e do papel de cada membro da organização no processo de
acolhimento. Este deve ser o objetivo principal do Cento Espírita de Umbanda
Ogum Yara e Yansã.
Amém