Adorei as Almas e as almas me atenderam
Eram as Santas Almas lá do Cruzeiro
Eram as Santas Almas lá do Cruzeiro
Almas santas, almas benditas! Vinde a nós, almas aflitas,
rogai por nós pecadores agora na hora de nossa angustia e sempre.
Ensina-nos a sua sabedoria, humildade, amor e perdão ao
próximo.
Pai Preto, Mãe Preta, Salve Vovó Maria Conga, Salve Pai
Benedito, Pai Antônio, Mãe Maria da Estrada, Pai Cipriano, Maria Mina, Salve o
povo de Angola, Pai Tomé, Vovó Rita, Negra Anastácia, Salve o Sol, Salve a Lua,
Salve as Senzalas, Salve os quilombos, Salve nossa estada na Terra.
Almas que padeceram no cativeiro viveram e morreram na
humilhação, homens, mulheres e crianças, que tiveram a sua liberdade ceifada
por troca de alguns vinténs. Arrancados de suas terras e vendidos como
mercadorias para servirem de escravos em terras distantes. De varias tribos com
cultura e crenças diferentes, foram forçados a conviverem entre correntes e
chibatas. Um povo que aprendeu pela sabedoria divina a superar as diferenças de
suas origens e desenvolver a solidariedade, a superação dos obstáculos em busca
do bem comum, a liberdade.
Na época, muitas revoltas banharam as terras com sangue de
brancos, negros, velhos e de crianças, sem distinção. O ódio existente entre
brancos e negros fortaleciam as correntes que aprisionavam o corpo e a alma
independente da classe social, da cor e do credo, da casa grande a senzala.
Centenas de anos se passaram entre encontros e desencontros
destas almas marcadas pelo ódio e pelo rancor, inúmeras reencarnações foram
necessária para que pudessem purgar de seus espíritos as manchas de uma época
desumana. Através da sabedoria, da bondade, da misericórdia divina estas velhas
almas conseguiram alcançar a luz, o equilíbrio e se desvencilhar das amarras
terrenas.
Hoje estas almas iluminadas vivem no astral, junto dos
espíritos superiores atentos as nossas súplicas, sempre dispostos a nos
socorrerem com sua doçura, com a voz mansa, com seu cachimbo pitando lentamente,
nos ensinando através de suas palavras o caminho da humildade, da resignação,
da paciência, da paz, da harmonia e do encontro da felicidade.
Nem todas as almas denominadas de Pretos Velhos que hoje se
manifestam dentro dos Terreiros, são realmente almas de negros escravos. São
espíritos que estão inseridos dentro desta vibração e que através da humildade
escolheram trabalhar em benefício da humanidade de encarnados e desencarnados
com esta vestimenta astral.
Ó Pai... Benditas são as almas que vós destinastes ao nosso
consolo na terra, através da imagem destes amigos Pretos Velhos que nos tomam
ao colo nos nossos momentos de aflição. Sublime sabedoria que permite que
através do ensino e principalmente do exemplo nos desviamos dos caminhos
pedregosos e alcançamos o bem viver.
Amém.
Que preto é esse ô calunga que chegou agora o Calunga...
(bis)
É Pai Joaquim o Calunga que venho de angola o Calunga... (bis)
AS SETE LAGRIMAS DE UM
PRETO VELHO
Texto adaptado do Livro “Lições de Umbanda (e quimbanda) na
Palavra de um Preto-Velho”, do médium W.W da Matta e Silva.
Num cantinho de um terreiro, sentado num banquinho, pitando
o seu cachimbo, um triste preto velho chorava. ..
De seus olhos
molhados, lágrimas desciam-lhe pelas faces e, não sei por que, contei-as… Foram
sete!
Na incontida vontade
de saber, aproximei-me e o interroguei…
- Fala meu preto
velho, diz ao teu filho porque externas assim uma tão visível dor?
E ele, suavemente
respondeu…
- Estás vendo esta
multidão que entra e sai? As lágrimas contadas são distribuídas a cada uma
delas.
A primeira, eu dei a estes indiferentes que aqui vem em
busca de distração, para saírem ironizando aquilo que suas ofuscadas mentes não
podem conceber…
A segunda, a esses eternos duvidosos que acreditam, desacreditando,
na expectativa de um milagre que os façam alcançar aquilo que os seus próprios
merecimentos negam…
A terceira, aos maus, aqueles que somente procuram a Umbanda
em busca de vingança, desejando sempre prejudicar o seu semelhante…
A quarta, aos frios e calculistas, que sabem que existe uma
força espiritual e procuram beneficiar-se dele de qualquer forma e não conhecem
a palavra gratidão…
A quinta, chega suave, tem o riso e o elogio da flor nos
lábios, mas se olharem bem o seu semblante, verão escrito “Creio na Umbanda,
nos seus caboclos e no seu Zambi, mas somente se vencerem o meu caso, ou me
curarem disso ou daquilo”…
A sexta, eu dei aos fúteis, que vão de terreiro em terreiro,
não acreditando em nada, buscam aconchegos e conchavos, porém seus olhos
revelam um interesse diferente…
A sétima, meu filho, notas como foi grande e como deslizou
pesada, foi a última lágrima, aquela que vive nos olhos de todos os orixás; fiz
doação dessa aos médiuns, vaidosos, que só aparecem no terreiro em dias de
festa e faltam as doutrinas. Esquecem que existem tantos irmãos precisando de
caridade e tantas criancinhas precisando de amparo material e espiritual…
E assim, filho meu, foi para esses todos, que viste uma a
uma, as sete lágrimas desse preto velho!
Salve 13 de Maio, dia
de Preto-Velho! Salve o povo de Aruanda!